http://www.scielo.org.mx/pdf/rmta/v9n1/2007-1523-rmta-9-01-119.pdf

Autores: Juan Argüelles, Paula Núñez, Carmen Perillán

Revista Mexicana de Trastornos Alimentarios. 2018.

 OBJETIVO: Revisar alguns dos principais mecanismos fisiológicos que fundamentam a ingestão de sódio e recapitular, a partir de uma perspectiva atual, sua relação com a saúde pública e o uso excessivo dessa substância, de acordo com as evidências científicas existentes.

Introdução

O hábito de adicionar sal aos alimentos começou a 5 ou 10 mil anos atrás, com o início da agricultura. Estima-se que, nesse início, a adição de sal na dieta alimentar não passava de 1g ao dia. Porém, ao mesmo passo que a dieta humana evoluiu, o consumo de sal, ou também chamado “cloreto de sódio”, aumentou. Atualmente, tem-se observado uma ingestão excessiva de sal por parte da população, de aproximadamente 10g diárias, enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde é de, no máximo, 5g/dia.

Deve-se considerar para os devidos cálculos dietéticos que 40% de cada grama de sal é composta por sódio, o que resulta em uma recomendação de 2g de sódio por dia. Esse sódio é um elemento crucial para inúmeras funções fisiológicas do organismo humano, desde a manutenção de fluidos extracelulares, circulação sanguínea e função neuronal até a função reprodutiva. Para que a homeostase do sódio seja sempre mantida, o corpo possui mecanismos de regulação que trabalham para evitar perdas e/ou substituí-las. Apesar de essencial a sobrevivência humana, alguns estudos levaram os autores a acreditar que a ingestão de sódio por humanos pode ser potencialmente caracterizada por um componente hedônico atribuído ao SNC.

Porém, evidências mostram que conforme o consumo de sódio excessivo se torna constante, a tendência ao desenvolvimento de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é maior, podendo levar a doenças cardiovasculares.

 

Discussão

A Homeostase hidromineral, Consequências do excesso de ingestão de sódio e medidas preventivas.

A água do corpo é distribuída entre os compartimentos intracelular e extracelular. Por sua vez, o compartimento extracelular é composto de dois subcompartimentos: o fluido livre de células (confinado no sistema cardiovascular) e o líquido intersticial, que preenche o espaço ao redor das células. Uma redução ou expansão de qualquer um dos subcompartimentos acarreta mudanças volumétricas proporcionais nas outras. Alterações no volume aquoso do corpo afetam primeiro o fluido extracelular. Quando há a desidratação de intracelular ou do espaço extracelular, a única maneira de recupera a homeostase de água e do sódio é através do compartimento de busca e consumo de água e sódio. A perda de sódio resulta em um estado de desidratação do compartimento extracelular, associadas com a diminuição da mudança total de fluido corporal detectado por este tipo de receptores nos rins, coração e vascularização. O reflexo homeostático acontece em diferentes escalas temporais e sob diferentes mecanismos. Os sinais fisiológicos que levam a ingestão de sódio envolvem aldosterona, angiotensina II e barorreceptores.

A secreção de aldosterona está intimamente ligada à privação de sódio, de modo que estimula especificamente a ingestão de sódio, com pouco efeito sobre o consumo de outros fluidos. A angiotensina, um importante estimulador da sede durante a hipovolemia, também aumenta o apetite pelo sal. Por isso, os reflexos de coordenação e essas respostas endócrinas devem agir de forma integrada ao SNC para monitoramento contínuo do estado dos fluidos corporais. Além disso, a capacidade de reação imediata a mudanças hidrossalinas no ambiente interno não exclui a possibilidade de respostas adaptativas decorrentes de sua origem e consequências ao longo de um período de tempo mais longo, mesmo ao longo da vida.

Apesar da grande capacidade de adaptação, o corpo humano responde negativamente ao aumento excessivo do consumo de sódio, aumentando a pressão arterial e causando maiores riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV), renal, acidente vascular cerebral ou hipertrofia ventricular esquerda. Da mesma forma, tem sido documentado que a redução da ingestão de sódio está diretamente relacionada com a redução da pressão arterial á temperatura ambiente, principalmente em indivíduos mais longevos e hipertensos. A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é a principal causa de morte e a segunda de incapacidade em todo o mundo, causando 7,6 milhões de mortes prematuras. A OMS estimou que 62% das doenças cerebrovasculares e 49% das doenças isquêmicas do coração foram atribuídas a HAS. Além disso, é possível afirmar que a medida que a população envelhece, o número de pessoas que desenvolvem a doença é cada vez maior.

Mesmo com todas as evidências que deixam claro para a ciência que o consumo de sódio elevado exerce poder negativo sobre a pressão arterial e favorece o desenvolvimento de tais doenças, alguns autores ainda questionam a associação entre a redução da ingestão alimentar do sódio e a diminuição de eventos cardiovasculares e seus índices de mortalidade. Além disso, é preciso considerar que outros fatores, como a baixa ingestão de potássio, a ingestão deficiente de frutas e vegetais, obesidade e sedentarismo, também influenciam no aumento da pressão arterial. Outro fator curioso é a “sensibilidade ao sal” não levar necessariamente a hipertensão arterial, ou seja, algumas pessoas apresentam variação da pressão quando ingerem quantidades excessivas de sal, porém não são classificados como hipertensos. Este fato pode ser explicado como um fator determinado geneticamente.

Ainda assim, a redução da ingestão de sódio entre a população é uma prioridade de saúde pública e que requer o esforço conjunto de políticas governamentais e da indústria alimentícia. Estima-se que a redução de sal no processo de fazer pão, carne, queijo, margarina e cereais iria resultar em um aumento na expectativa e qualidade de vida da população. Dito isso, as principais recomendações da OPAS às indústria de alimentos são: em primeiro lugar, iniciar um processo que leva à redução gradual e sustentada do teor de sal de todos os géneros alimentícios, e depois reformular e padronizar de forma clara e de fácil compreensão os rótulos, incluindo informações sobre o teor de sódio desses alimentos. Assim, as iniciativas de redução do sal em alimentos processados e estratégias educativas estão tendo resultados favoráveis nos países industrializados, como o Reino Unido e os Estados Unidos. Vários países seguem a liderança do Reino Unido e o desafio agora é envolver outros países com modificações locais apropriadas. Esta redução em todo o mundo levará a grandes melhorias para a saúde pública.


Produto Humalin

O Humalin Sal Sem Sódio é um salgante de mesa desenvolvido a base de cloreto de potássio, sem nenhuma adição de sódio em sua composição. Sua concentração de potássio é de 0,9 mg para cada porção do sal. É uma boa fonte de potássio, ideal para dietas com restrição de sódio, que buscam manter o controle da pressão arterial e promover a saúde cardiovascular.

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