http://arquivos.braspen.org/journal/jan-fev-mar-2019/artigos/4-AO-A-influencia-da-L-glutamina.pdf

Artigo: A influência da L-glutamina como imunofarmaconutriente na resposta imunometabólica de pacientes com HIV/AIDS: estudo piloto randomizado

Autores:Cervantes Caporossi, Camila da Silva Martins Ribas, Diana Borges Dock-Nascimento, Juliana Ramos Leones Tassinari

Introdução

O uso contínuo de drogas combinadas na terapia antirretroviral altamente ativa (HAART) traz a ocorrência de efeitos colaterais que induzem complicações imunometabólicas graves, como resistência à insulina, síndrome metabólica e lipodistrofia, além de doenças cardiovasculares. Com isso, ocorreu no campo científico a necessidade de novos tratamentos que possuíssem o objetivo de atenuar os efeitos colaterais desta terapia.

Estudos sugeriram, então, que os pacientes infectados pelo HIV suplementados diariamente com micronutrientes (N acetilcisteína, betacaroteno, vitaminas A, complexo B, vitamina C, D e E, cálcio, zinco e magnésio), apresentavam melhores resultados clínicos, como o aumento na porcentagem de CD4+ e CD8+. Outras pesquisas que avaliam a suplementação de glutamina nesses pacientes apontam resultados positivos em variáveis estudadas ao atenuar a disbiose intestinal do portador de HIV, principalmente nos virêmicos sem tratamento, inibindo alterações da flora intestinal e impedindo a disfunção imunológica crônica.

Dentre os imunonutrientes conhecidos, a glutamina se destaca como o aminoácido não essencial mais abundante no sangue e fonte primária de energia do enterócitos, resultando em boas respostas imunológicas, e na desintoxicação hepática, metabolizando os substratos das drogas administradas. Em situações em que há perda de peso, infecções e inflamações, as concentrações plasmáticas de glutamina são baixas e a função imunológica é deprimida. Dessa forma, o fornecimento de glutamina exógena tem sido sugerido para restaurar os níveis de glutationa no plasma e melhorar a função imunológica, além de atenuar a perda de massa muscular esquelética, reduzir a diarreia e a má absorção, diminuir a incidência de infecções oportunistas.

Objetivo

Avaliar a influência do imunofarmaconutriente glutamina no metabolismo e no sistema imunológico de pacientes que vivem com o vírus HIV/AIDS.

Métodos

Realizado em pacientes portadores de HIV/AIDS e em acompanhamento ambulatorial em uma unidade especializada no município de Cuiabá-MT. Foram incluídos no estudo paciente adultos considerados aderidos ao tratamento, de ambos os sexos, entre 18 e 50 anos, com sorologia positiva para HIV/AIDS em tratamento regular e em uso de antirretroviral há pelo menos dois anos, com Avaliação Subjetiva Global = A (bem nutrido).

Foram eleitos 120 pacientes, e selecionados 40, que foram randomizados em dois grupos: grupo A/L-glutamina (n=18) e grupo B/maltodextrina (n=22). Os pacientes pertencentes ao grupo A receberam, durante 7 dias, L-glutamina (0,5 mg/kg/dia – dose máxima 30 g) e os do grupo B, maltodextrina 12% (0,5 mg/kg/dia – dose máxima de 30 g).

Foi realizada avaliação laboratorial no primeiro e oitavo dia de estudo, e os parâmetros observados foram avaliação imunológica e metabólica.

Resultados e Discussão

Os resultados foram obtidos a partir de uma amostra de 10 pacientes em cada grupo, com tempo de suplementação de 7 dias. Na admissão dos pacientes o estrado nutricional foi diagnosticado pela Avaliação Subjetiva Global (ASG), sendo todos os pacientes determinados “bem nutridos”.

Quanto a avaliação imunológica, não houve resultados significativos entre os grupos, entretanto, em relação a avaliação metabólica, foi observada uma diferença na dosagem de insulina basal no grupo A entre o primeiro e oitavo dia de suplementação, enquanto o grupo B não demonstrou alterações. Um estudo experimental que observou os efeitos da glutamina em ratos revelou queda na produção de insulina basal, antes e depois da ressecção pancreática. Para os autores, estes resultados sugerem que a glutamina pode ter um potencial mecanismo na estimulação da secreção de glucagon pancreático, diminuindo, assim, a proporção de insulina.

Após a análise dos dados obtidos na literatura, foram encontrados fatores limitantes que dificultam a construção desse ensaio clínico, como a escassez de estudos que investiguem a suplementação de L-glutamina em pacientes com HIV/AIDS e resultados obtidos a partir de pesquisas datadas de 10 anos ou mais. Há, ainda, outros questionamentos importantes na metodologia do estudo, como tamanho da amostra, tempo e via de administração da L-glutamina, assim como as variáveis estudadas para as avaliações laboratoriais. Possivelmente, uma maior duração no tratamento com L-glutamina e um aumento na dose oferecida, poderia ter produzido resultados mais robustos.

Entretanto, nossos resultados demonstram uma significativa melhora da resistência insulínica no grupo com L-glutamina. Este dado é interessante, pois sabe-se que esta melhora pode representar controle da glicose sanguínea, reduzindo a chance de pulsos de hiperglicemia que determinam um desarranjo imunológico, fato relevante em qualquer paciente e desastroso nos já predispostos a complicação infecciosa, como os portadores de HIV.

CONCLUSÃO

Baseado nos resultados, podemos concluir que, o uso da L-glutamina por via oral e durante 7 dias em pacientes que vivem com HIV/AIDS favorece a resposta metabólica avaliada pela dosagem da insulina basal.


Produto Humalin

Módulo de proteínas com 100% de L-Glutamina (Ajinomoto ® ) fonte de aminoácido para saúde orgânica. Para estímulo nutricional para trofismo intestinal, função imunoestimulante, fonte proteica para ganho de massa e força muscular.

Comments are closed.